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A urgência de recursos para recuperação das rodovias brasileiras

As empresas de Consultoria de Engenharia foram as responsáveis pela elaboração dos projetos e supervisão das obras de quase todas as rodovias que integram o sistema viário brasileiro.

São igualmente as autoras dos projetos de restauração dessas rodovias e, portanto, conhecem profundamente o estado em que se encontra a malha federal e o elevado custo de sua recuperação, quando a sua conservação não se faz, nos tempos certos.

O enorme valor desse patrimônio nacional está em risco, pela escassez dos recursos que deveriam ser alocados regularmente para a sua preservação.

Não há e não haverá, a curto prazo, disponibilidade de tais recursos no orçamento da União face às demais demandas urgentes de investimentos, especialmente os de destinação social, por sua natureza inadiáveis.

Ora, a manutenção de rodovias constitui um serviço público da mesma natureza de outros, pelos quais os usuários pagam para deles dispor. Não se justifica, portanto, a dependência total da existência de rodovias transitáveis e seguras à disponibilidade de verbas do Orçamento da União.

No caso de rodovias operadas por concessionárias, essa equação se resolve pela cobrança de pedágio. No entanto, essa solução estará restrita à limitada parcela da malha viária, cujo fluxo de tráfego viabiliza a concessão.

Na parte maior da malha, os recursos para a conservação e restauração terão necessariamente outra origem. Por justiça, devem provir dos usuários das rodovias.

Entretanto, não há viabilidade econômica de cobrança direta, excessivamente onerosa.

No passado ainda recente, a questão estava bem colocada, pela vinculação do Imposto Único sobre Combustíveis Líquidos e Gasosos ao Fundo Rodoviário Nacional, responsável pela malha rodoviária do país. Era, na verdade, uma modalidade de cobrança indireta de taxa de utilização desse serviço público, representando um ônus insignificante sobre o consumidor de combustíveis, potencial usuário do sistema.

A proibição constitucional da vinculação de impostos a fins determinados decompôs esse sistema eficiente, responsável pela ampliação e manutenção da rede viária do país.

A ABCE representando as empresas que projetaram a maior parte deste patrimônio nacional, vem manifestando seu integral e decidido apoio ao restabelecimento desse Fundo, através de cobrança indireta da utilização das rodovias, na forma de uma taxa de valor adequadamente dimensionado adicionado ao preço dos combustíveis, ou simples vinculação desse mesmo valor, como imposto, àquele fim, ou, ainda, outros mecanismos fiscais que produzam resultados equivalentes.

O efeito será a recuperação e preservação de um patrimônio avaliado em 150 bilhões de reais e, conseqüentemente, maior segurança e economia nos transportes de passageiros e cargas.

E indiscutível que recursos garantidos significam a possibilidade real de planejamento com o cumprimento de metas, a redução dos custos das obras por eliminação das incertezas e o fim do desperdício de obras paralisadas por falta de verbas.

 

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