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Agências se agigantam

Hélio Amorim

Os programas de concessões e privatizações podem estar gerando novos gigantes estatais, na contra-mão de todas as políticas adotadas pelo governo. A transferência de concessionárias estatais e a implantação/operação de serviços públicos concedidos à iniciativa privada exigem obviamente uma ação reguladora e controladora do estado. É adequado que isto se faça através de agências setoriais, várias delas já criadas e atuantes.

Entretanto, regular e controlar com eficiência não exige o gigantismo que já esboçam aquelas agências. As atividades de acompanhamento, monitoramento e fiscalização do desempenho das concessionárias podem e devem ser delegadas a empresas privadas especializadas, capazes de atuar por setores e regiões geográficas, com menor custo, mais agilidade e naturalmente sob cuidadoso controle das agências. Estas serão muito mais eficientes se enxutas, reservando-se o seu poder decisório e regulador, sem necessidade de se expandir e estender seus braços a todos os cantos do país. A experiência ensinou que esse gigantismo estatal tende a ser ineficiente, burocratizado, criando desnecessariamente pesadas estruturas administrativas internas.

A clara separação entre as funções decisórias (indelegáveis) e funções executivas (delegáveis), recomendaria a contratação destas no mercado de consultoria, reservando-se para as agências, além do poder decisório, a formulação de diretrizes de ação das empresas contratadas para esse apoio de natureza operacional. A diversidade de empresas contratadas criaria uma competição saudável pelos desempenhos comparados, ao mesmo tempo em que oxigenaria permanentemente a própria agência, pela introdução de sempre novos métodos de gestão e instrumentos de monitoramento das concessões.

Empresas de consultoria de engenharia, de gerenciamento e de auditoria técnica e financeira sabem como garantir, em representação do governo, o fiel cumprimento das obrigações contratuais das concessionárias, a qualidade e regularidade dos serviços oferecidos à população, com uma ação não apenas fiscalizadora mas orientadora e preventiva, já que mais importa a satisfação dos usuários que a aplicação de penas e multas por falhas dos serviços.

Por outro lado, não tem lógica a delegação de tais atividades a pessoas físicas, como tem ocorrido, geralmente contratadas através de universidades. O controle do desempenho de fiscais ou monitores individuais supõe o mesmo tipo de estrutura administrativa interna próprias do gigantismo que consideramos inadequado para as agências reguladoras. Tais atividades recomendam o emprego de equipes multidisciplinares, geridas por empresas que assumem uma larga pauta de obrigações capazes de assegurar o melhor desempenho possível das concessionárias. Empresas que assumem a corresponsabilidade pelos resultados esperados.

Não parece ser essa, até agora, a visão dessas agências. Em sentido contrário ao das políticas de enxugamento do estado para melhor desempenhar suas atividades indelegáveis, podemos ver em breve ressuscitadas pesadas estruturas estatais ou paraestatais que reproduziriam outras anteriormente extintas por sua ineficiência e anacronismo.

 

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