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APOIO AO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO
NAS EMPRESAS DE CONSULTORIA DE ENGENHARIA

A Associação Brasileira de Consultores de Engenharia – ABCE tem interesse em participar de organismo que venha a ser criado pelo Ministério para a coordenação das atividades relacionadas com a gestão dos Fundos Setoriais contituídos pelas Leis 9991, 9992, 9993, 9994 e 10168, todas de 2000, certa de que sua atuação será útil e construtiva.

Com efeito, a ABCE congrega as empresas de engenharia que projetaram e conhecem profundamente praticamente todos os empreendimentos que constituem a infra-estrutura do país, em todos os setores anteriormente mencionados, conhecendo a capacidade técnica disponível bem como as carências e debilidades no campo tecnológico a serem atendidas por programas suportados pelos Fundos Setoriais aqui referidos.


Considerações sobre o pleito acima:


O patrimônio tecnológico de um país está apoiado num clássico tripé: universidades, centros de pesquisa e empresas de consultoria. Cada um desses três pontos de apoio tem suas atribuições claramente definidas e devem estar intimamente articulados para assegurar a máxima sinergia no desenvolvimento tecnológico da nação.


A virada do século insere o Brasil no contexto das economias globalizadas, mais desenvolvidas, impondo a necessidade de modernização de seus setores produtivos para assimilar novos padrões de produtividade, indispensáveis às exigências da competitividade.


No que se refere ao setor de serviços de engenharia e, em particular, ao de estudos e projetos de engenharia, a necessidade de modernização para maior competitividade confronta-se com a real situação das empresas, debilitadas pela retração do seu mercado, com forte redução dos investimentos públicos na infra-estrutura do país, com a conseqüente descapitalização das empresas e dispersão de seus recursos humanos.


A área de projetos de engenharia nos setores industrial (petroquímica, eletroquímica, fertilizantes, siderúrgica, metalurgia, papel e celulose) e de energia (petróleo/gás, geração hidro-núcleo-termoelétrica, etc.), transportes (terrestres e aquaviários), recursos hídricos e saneamento, sendo de mão-de-obra intensiva, é um importante segmento de absorção de recursos humanos técnicos de engenharia e de profissionais de nível médio, em atividades multi-disciplinares (civil, mecânica e eletro-eletrônica). Trata-se de um setor estratégico por sua capacidade de desenvolver, absorver, adaptar e aplicar tecnologias.


As próprias empresas de consultoria dedicadas às atividades de engenharia de projetos desempenhavam, no passado, o papel de formadoras de recursos humanos para as necessidades de atualização e crescimento de suas equipes técnicas. Algumas empresas se destacaram com o desenvolvimento de programas de treinamento sistemáticos junto a universidades e escolas técnicas.


No momento em que se visualiza uma retomada do crescimento econômico, com a oportunidade de reativação das empresas de engenharia de projetos, torna-se obrigatório um esforço concentrado para a formação e treinamento acelerado de profissionais de engenharia e técnicos de nível médio, que possa atender à demanda prevista para o futuro próximo. Sem esse esforço, esta atividade permanecerá fragilizada, independentemente de qualquer política de governo, por escassez de recursos humanos habilitados. O país poderá ficar dependente da importação de serviços de engenharia de projetos, com reflexos negativos até mesmo na produção de bens de capital.


As Agências Reguladoras já vêm constatando dificuldades para a maior utilização de bens de capital e de serviços fornecidos pelas empresas nacionais na implantação de empreendimentos no país. A ANP, por exemplo, induziu a criação da ONIP – Organização Nacional da Indústria de Petróleo, justamente para perseguir a ampliação das compras de bens e serviços no país pelas operadoras de petróleo.


Essas Agências Reguladoras dispõem de recursos financeiros destinados a programas de desenvolvimento tecnológico e formação de recursos humanos, fundamentais para suportar projetos de treinamento, com o objetivo de superar essa defasagem e assim tornar viável o retorno do desenvolvimento da atividade de projetos de engenharia no país, na escala já praticada no passado recente. A aplicação desses recursos deverá ser conduzida pela FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos, operadora dos Fundos Setoriais criados recentemente, para apoio ao desenvolvimento tecnológico do país (Leis 9991, 9992, 9993, 9994 e 10168, todas de 2000.


O problema de treinamento de recursos humanos, para suprir a atividade de projetos de engenharia, no presente contexto, transcende o esforço isolado das empresas de consultoria; ao contrário, depende de uma ação articulada das empresas de engenharia junto a órgãos governamentais para compatibilizar recursos financeiros com objetivos práticos bem definidos, associando a experiência dos centros de formação acadêmica (universidades e organizações de formação profissional) às necessidades efetivas de treinamento de suas equipes técnicas. Em contra-partida, a formação de novos profissionais poderia contar com o apoio de empresas de engenharia congregadas na ABCE, capazes de agregar conhecimentos práticos indispensáveis à sua formação acadêmica.

Por outro lado, a experiência indica que a capacitação e atualização tecnológica das empresas de consultoria e suas equipes técnicas se mostra mais eficaz na execução de trabalhos concretos de engenharia requeridos pelo mercado, nos quais seja exigido o domínio de tecnologias avançadas, com a participação de técnicos brasileiros ou estrangeiros que as dominam, capacitados a transmitir os conhecimentos exigidos. Este modelo de "training on the job" é mais efetivo que programas acadêmicos, e resulta em produtos tangíveis – estudos, projetos, softwares – comercializáveis, permitindo a recuperação total ou parcial dos custos do programa. Este desenho deve ser, portanto, contemplado na modelagem dos programas em que se aplicarão os recursos destinados a capacitação de fornecedores nacionais de bens e serviços, especialmente de engenharia, gerados pelos royalties e outros aportes financeiros de concessionárias, especialmente nas áreas de energia, petróleo e gás, recursos hídricos e saneamento, transportes terrestres e aquaviários.

Cada setor contemplado com a criação daqueles Fundos, é gerido por um Comitê Gestor, cuja composição é definida nas leis que os criaram. Entretanto, cabe por certo ao Ministério da C&T uma coordenação superior que assegure uma necessária convergência, articulação, complementaridade e unidade na aplicação dos recursos gerados para os diferentes Fundos Setoriais. A ABCE pleiteia ter lugar nessa coordenação na qual poderá contribuir através da experiência multi-setorial das empresas nela congregadas.

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