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A melhor solução é a que conduz ao menor custo

Em relação ao projeto básico o trabalho de uma consultoria é capaz de gerar uma redução de custo de até 10% ou 15%, segundo estimativas.

(Entrevista de Angelo Vian, presidente da Diretoria Nacional da ABCE, a Julio Santos, no Canal Energia – www.canalenergia.com.br).

Reduzir custos do projeto, minimizar os riscos, cumprir à risca o cronograma de obras e injetar mais energia no sistema elétrico do país. Para solucionar tal equação, os empreendedores apostam no know-how das consultorias de engenharia, um trabalho preventivo crucial para garantir a viabilidade técnica e econômica de uma usina hidrelétrica ou termelétrica.

Qual é, então, o caminho para mitigar os riscos de projetos milionários, longos e complexos? "A melhor solução é a que conduz ao menor custo de sua construção, operação e manutenção, compatível com a qualidade, durabilidade e eficiência do empreendimento", argumenta Ângelo Vian, presidente da ABCE (Associação Brasileira de Consultoria de Engenharia).

Pelos cálculos de Vian, em relação ao projeto básico o trabalho de uma consultoria é capaz de gerar uma redução de custo de até 10% ou 15%, dependendo de quanto corretas e precisas forem as estimativas.

Nesta entrevista exclusiva para o CanalEnergia, o presidente da ABCE, segmento que reúne cerca de 40 empresas e movimenta por ano entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, explica como escolher uma consultora e critica a forma errada como as empresas do setor elétrico estão contratando hoje os serviços de consultoria.


CanalEnergia - Como tem sido a atuação das consultoras de engenharia neste momento que construir novos empreendimentos na área de energia é crucial para o país?

Ângelo Vian - As empresas atuam elaborando desde estudos de inventário e de viabilidade técnica, econômica e ambiental, no planejamento da implantação e nos projetos básico e executivo até a participação na gestão da execução do empreendimento, seja de geração, transmissão ou distribuição de energia. Esta é uma atuação fundamental e definidora das soluções técnicas, certamente menos visível que a atuação das construtoras e das empresas fornecedoras de equipamentos.


CanalEnergia - Como encontrar a melhor solução para um projeto de geração ou transmissão, por exemplo?

Ângelo Vian - A melhor solução é a que conduz ao menor custo de sua construção, operação e manutenção, compatível com a qualidade, durabilidade e eficiência do empreendimento. Admitido que as soluções técnicas conceituais tenham sido corretamente formuladas, o foco de uma boa consultoria de engenharia deve concentrar-se na minimização dos riscos de engenharia do empreendimento, sendo a redução dos custos em geral uma conseqüência. A avaliação dos riscos de engenharia, riscos geológicos, hidrológicos etc, ao longo de todas as fases de implantação do empreendimento, é tarefa muito delicada e importantíssima na qual a consultora resulta praticamente a única responsável. Uma vez que os riscos estejam corretamente identificados e configurados, uma boa consultora de engenharia saberá proporcionar a adoção das mais adequadas soluções para evitar perigosos percalços na realização do empreendimento.


CanalEnergia - Em média, é possível reduzir estes custos em até quanto?

Ângelo Vian - É difícil quantificar a possível economia que uma consultora competente consegue proporcionar na implantação de um empreendimento, sobretudo porque é subjetiva a escolha da referência de comparação. Em relação às estimativas a nível de projeto básico pode-se atingir reduções de até 10% ou 15%, dependendo de quanto corretas e precisas forem as estimativas. Deve-se olhar para a minimização dos riscos, os quais, se não evitados, podem implicar em grandes prejuízos de todos os tipos, e, consequentemente também econômicos. Neste caso, o papel da consultora de engenharia deve ser primordialmente preventivo, possibilitando que o desenvolvimento do empreendimento se realize dentro dos prazos e custos programados, em consonância com as melhores alternativas técnico-econômicas do empreendimento.


CanalEnergia - Num momento como o que a gente vive hoje, de racionamento, é fundamental cumprir os cronogramas das obras e, quem sabe, até antecipá-los. Um bom exemplo foi o da usina de Lajeado. De que forma o trabalho da consultoria pode ajudar a reduzir o tempo de execução de um projeto?

Ângelo Vian - O esforço para a antecipação de cronogramas deve ser conjunto, envolvendo todos os agentes responsáveis pelo sucesso do empreendimento: empreendedor, consultor, construtor, fornecedor de equipamentos e montador, todo mundo, nenhum excluído, trabalhando de forma sinérgica. O papel da consultora resulta primordial neste caso, na medida em que consegue aglutinar soluções, em geral multidisciplinares, nas quais todas as idéias e proposições úteis sejam analisadas em um ambiente livre de posições dogmáticas preconcebidas, e colocadas em prática quando realmente eficazes, sempre no respeito absoluto da qualidade técnica exigida. A experiência e visão global do empreendedor é um fator decisivo, como prova o exemplo da hidrelétrica de Lajeado.


CanalEnergia - Na hora de contratar uma consultora de engenharia, as empresas devem levar em consideração que fatores?

Ângelo Vian - A meu ver, sob o aspecto da qualificação da consultora, primordiais são a tradição, experiência e desempenho anteriores em empreendimentos equivalentes não somente pelo porte, mas sobretudo pelas características técnicas. Portanto deve ser verificada a capacidade técnica atual, para atender aos requisitos e escopo da contratação. A qualidade e competência das equipes técnicas efetivamente disponíveis é fator determinante para uma perspectiva de sucesso da contratação. Quando o empreendimento for multidisciplinar, deveria ser objeto de atenta análise não somente a capacitação técnica da equipe em cada especialidade, mas também a comprovada habilidade das diversas disciplinas envolvidas de atuar de forma integrada na realização do projeto.


CanalEnergia - E a questão preço, como deve ser equacionada?

Ângelo Vian - Quanto ao preço, este deveria ser objeto de uma negociação séria e objetiva, com a possibilidade de incluir prêmios e penalidades em função do desempenho. O preço dos serviços de consultoria são pouco relevantes no montante dos investimentos que vão definir. Um estudo ou projeto de elevada qualidade pode custar um pouco mais que outro de qualidade inferior. O melhor projeto, entretanto, resulta em significativa economia na execução, operação e manutenção do empreendimento, economia geralmente maior do que o custo global da consultoria que o definiu.


CanalEnergia - O lado técnico, então, é o fator decisivo?

Ângelo Vian - A escolha da consultora deveria ser feita, por critérios técnicos, como no passado sempre se fez. No setor público, a lei vigente induz ao uso de um tipo de licitação que combina a técnica com o preço, atribuindo-se notas e pesos adequados a esses dois fatores para uma média ponderada que indicará a melhor proposta. O peso atribuído à proposta técnica está situado sempre entre 70% e 90%, o que coincide com as normas adotadas pelo Banco Mundial e amplamente utilizadas em todo o mundo.


CanalEnergia - Como o senhor avalia hoje a forma de escolha das consultoras adotadas pelas empresas do setor de energia elétrica?

Ângelo Vian - O que me surpreende atualmente é ver hoje este mesmo setor que criou a consultoria brasileira na área de energia contratando erradamente a consultoria. Desconsiderando a capacidade técnica diferenciada das empresas como fator de seleção, as licitantes são niveladas com base em alguns requisitos técnicos de experiência anterior e convidadas a competirem pelo menor preço. Exatamente o contrário do que se deveria praticar. De outro lado, a contratação de universidades e fundações, pelo caminho fácil da dispensa de licitação de discutível legalidade, já resulta agora habitual para a execução de serviços que não são sua atividade-fim e para os quais as mesmas sequer estão preparadas. A ABCE tem se posicionado contra essa prática inaceitável, absolutamente incorreta e irregular. É preciso reverter essa tendência que contorna os princípios da lei vigente.


CanalEnergia - Por quê esta pratica acontece?

Ângelo Vian - A explicação é simples. Uma licitação é um processo demorado e dá trabalho. A lei 8666/93 abre a possibilidade de dispensa de licitação para a contratação de universidades e centros de pesquisas para serviços de seu campo próprio: atividades acadêmicas e de pesquisa. O contratante mascara o escopo da contratação para que se assemelhe a essas atividades. Consegue então autorização para a cômoda contratação sem licitação.


CanalEnergia - Em todos os segmentos vemos hoje uma forte concorrência externa. Como é esta concorrência no mercado brasileiro?

Ângelo Vian - A consultoria de engenharia brasileira é muito bem preparada e tecnicamente competente em quase todos os tipos de empreendimentos relacionados com a produção, transmissão e distribuição de energia elétrica. Estamos inclusive rapidamente aprendendo o que nos falta de conhecimento tecnológico em relação à implantação de usinas termoelétricas. Empresas estrangeiras têm preferido comprar o controle acionário, ou a totalidade das cotas, ou ações de empresas brasileiras para atuar em nosso mercado. Geralmente mantêm a estrutura original e as equipes técnicas e de gerência da empresa adquirida. Outras atuam consorciadas com empresas locais.

Fonte: http://www.canalenergia.com.br/cenergia/calandra/Entrevistas

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