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Cavalo
de Tróia "do bem" para a exportação
Helio Amorim*
Países industrializados
oferecem presentes vistosos aos países importadores potenciais dos seus
produtos. São projetos de engenharia, de alta qualidade, presenteados
de mão beijada. Podem ser estudos de sistemas de saneamento, aproveitamentos
hidrelétricos, portos ou modelos de transportes urbanos. O leque de ofertas
é variado. Governos recebem o presente, agradecidos. Os estudos e projetos
definem e especificam sistemas construtivos, equipamentos e bens de capital
produzidos naquele país que gentilmente os presenteou.
É uma espécie
de Cavalo de Tróia, um apreciado presente que traz em seu bojo um arsenal
de produtos industrializados e tecnologias proprietárias que serão
importadas pelo país beneficiado, para a execução do empreendimento
projetado. Não é a tática traiçoeira condenada pelos
gregos de antigamente, mas uma estratégia comercial lícita e inteligente
que deve ser imitada pelo Brasil.
A base desse mecanismo é
o custo irrelevante dos estudos e projetos de engenharia em relação
ao volume de exportações de vulto que pode alavancar. Os países
industrializados que usam a engenharia como ponta-de-lança para exportar
seus produtos criaram agências e fundos financeiros para custeio desses
presentes. Canadenses (CIDA), norte-americanos (TDA), alemães (GTZ),
japoneses (JICA) e outros exportadores já praticam esse tipo de "marketing"
há muito tempo, com enorme êxito. A TDA calcula que para cada dólar
gasto com a engenharia, foram exportados em média, nos últimos
anos, 32 dólares de produtos industriais norte-americanos.
O funcionamento é
simples: exportadores identificam demandas potenciais e propõem que esses
fundos ofereçam estudos e projetos de engenharia ao país indicado.
É feito o oferecimento, geralmente recebido com interesse. A empresa
de engenharia escolhida pelo país exportador desenvolve os estudos e
projetos. O resto acontece por conseqüência.
O Brasil não criou
ainda esse mecanismo. É hora de criá-lo, se a necessidade de aumentar
as exportações brasileiras é real. Parece não haver
dúvidas sobre isso.
Haveria inúmeros
efeitos colaterais benéficos para o país: o reaquecimento de setores
da engenharia brasileira, a sua presença mais atuante e visível
no mercado internacional, o prestígio para o país pela aplicação
em outros países de tecnologias avançadas, dominadas pelas empresas
brasileiras e o maior incentivo a parcerias promissoras entre engenharia e indústria
nacionais. Uma das muitas vantagens adicionais desse mecanismo é o pagamento
da engenharia quase totalmente em moeda nacional, poupando-se divisas escassas.
Esse seria o Cavalo de Tróia
"do bem", a ser utilizado em missão comercial de paz. Não
opaco para esconder mas transparente para exibir francamente o que leva em seu
bojo. É o momento propício para ser montado pelo Brasil, país
industrializado de reconhecida competitividade no mercado internacional, premido
a ampliar suas exportações.
*Secretário Geral da Associação Brasileira de Consultores
de Engenharia
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