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Rodovias na berlinda

Angelo Vian
Engenheiro, Presidente da Associação Brasileira
de Consultores de Engenharia - ABCE

O ministro dos Transportes foi informado de que as coisas não têm andado nos trilhos em sua área. O uso político dos investimentos rodoviários, há anos, tem resultadoemdenúncias freqüentes, inquéritos, demissões e duras intervenções do Tribunal de Contas da União.

Mas a solução do problema não passa pelo desmonte do órgão responsável nem pela transferência das atribuições do Ministério dos Transportes para o da Defesa. Basta apenas um providencial choque de legalidade e ética, com a submissão rigorosa à lei de licitações e contratações, às vezes (nem sempre) manipulada por interesses conhecidos.

O que gera a desordem é basicamente a falta de planejamento e a contratação de obras sem os estudos prévios de viabilidade e projetos de engenharia, ao nível de detalhamento técnico e orçamentário exigidos pela lei. Esses elementos indispensáveis são freqüentemente reduzidos a alguns relatórios, estimativas orçamentárias e esboços de desenhos absolutamente imprecisos, que não atendem ao que a lei exige.

Assim, uma obra só caminha mediante sucessivos aditamentos contratuais, e termina (ou não termina) com custos muito superiores aos previstos, depois de inúmeras paralisações e novas licitações e contratações para a execução de etapas que ultrapassaram as dotações orçamentárias iniciais. Acabam sendo exigidos remanejamentos de verbas e torna-se precária a possibilidade de controle da aplicação correta dos recursos.

Por outro lado, as empresas de consultoria de engenharia que supervisionam a execução das obras, como parceiras do órgão na sua fiscalização, têm suas atribuições indevidamente limitadas, frustrando a sua capacidade de coibir desvios e minimizar o risco de malversação de recursos. Descaracteriza-se, assim, a sua co-responsabilidade pela qualidade, custos e prazos das obras.

Quanto aos Batalhões de Engenharia de Construções do Exército, eles existem para atuar onde o acesso de organizações civis é difícil e o apoio bélico indispensável, especialmente na implantação e manutenção de estradas em certas regiões de fronteira ou cortadas por perigosas rotas do narcotráfico e contrabando. Não é adequado aparelhar batalhões com usinas, equipamentos pesados e pessoal técnico especializado para que passem a atuar como empresas construtoras ou consultoras. Tentativas anteriores têm comprovado que não dá bom resultado usar uma instituição qualquer, armada ou não, fora de suas atribuições institucionais e constitucionais. Basta que as empresas de consultoria de engenharia e de construções, totalmente brasileiras e de reconhecida competência, grandes geradoras de empregos, sejam utilizadas e contratadas corretamente, por uma Administração igualmente competente e comprometida com a ética e a obediência às leis vigentes. Em resumo: se houver planejamento, se as contratações das obras rodoviárias forem precedidas de estudos e projetos com todos os elementos exigidos pela lei de licitações, se as empresas consultoras tiverem ampliadas as suas atribuições e conseqüente co-responsabilidade na supervisão da sua execução, todos os investimentos rodoviários estarão rigorosamente nos trilhos, como ocorre em muitos contratos do DNIT, invalidando generalizações preconceituosas que sempre conduzem a juízos injustos.

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