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Rodovias em crise
S.O.S. das Empresas de Consultoria de Engenharia

Para as Empresas de Consultoria de Engenharia, prestadoras de serviços para o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), o momento atual de euforia e confiança na política econômica do Governo, é um verdadeiro "paradoxo", ou seja, acreditam e torcem pelo sucesso cada vez maior dessa política, porém na realidade deparam-se internamente com uma situação econômica financeira desesperadora, ocasionada fundamentalmente pelos seguintes fatos:

  • Falta de recebimento das faturas de serviços já realizados e empenhados com recursos do Orçamento do exercício 2002, muitas com atrasos significativos, de mais de 1 (um) ano.
  • Paralisação em fevereiro/2003 de todos os contratos de serviços que estavam em execução, provocando demissão de pessoal em massa no setor, envolvendo técnicos de níveis superior e médio, e tambem operários recrutados diretamente nas frentes de serviços.
  • Suspensão das licitações de novos serviços, que atualmente estão sendo reprogramadas, porém só surtirão efeitos práticos para as Empresas, no decorrer do 2o semestre, caso sobrevivam até lá.

Como pode-se observar, as capacidades operacional e administrativa dessas Empresas, encontram-se praticamente "engessadas", uma vez que não recebem os seus créditos, não geram novos créditos imediatos a receber, pois seus contratos estão paralisados e em contrapartida têm que honrar seus compromissos mensais, principalmente com salários e impostos, tendo que recorrer às Instituições Bancárias, pagando juros extremamente elevados.

No que tange aos impostos federais, estaduais e municipais a serem recolhidos mensalmente pelas Empresas, que no conjunto consomem grande parte de suas receitas brutas, o atraso nos seus pagamentos, acarreta multas e encargos de mora, com incidências cumulativas, que acrescem a cada mês o valor principal a ser recolhido em mais de 10%. São penalizadas duramente as empresas que ficam inadimplentes e passam a figurar no SICAF, impedidas de receber seus pagamentos do Órgão devedor quando forem processados, de realizar suas medições de serviços quando reiniciados os contratos em vigor, e de participar de licitações de novos serviços.

Por outro lado, os créditos devidos pelo DNIT às Empresas, de acordo com a Lei no 8666/93, e com cláusula específica constante nos contratos firmados, deveriam ser liquidados em até 30 (trinta) dias após a apresentação das faturas de serviço. Pagamentos com atrasos significativos são efetivados sem o acréscimo da atualização monetária ou juros de mora, restando às Empresas a cobrança desses direitos líquidos e certos, via judicial, o que por sua vez demanda anos de tramitação.

Na reunião realizada em 14/03/2003, no Auditório do DNIT, presidida pelo Eng. José Antônio Silva Coutinho, que se apresentou na condição de Diretor Geral do DNIT e como porta-voz do Ministro dos Transportes, foi informado às Empresas presentes, credoras do Órgão nos diversos setores de atividades, o débito global até então apurado, referente a "Restos a Pagar". Envolvem serviços já realizados por conta de empenho financeiro do exercício de 2002, da ordem de R$ 1.053 milhões, dos quais R$ 630 milhões já estavam na Tesouraria aguardando recursos para liquidação e R$ 423 milhões em trânsito para a Tesouraria.

Considerando-se apenas a parcela da dívida que já estava na Tesouraria (R$ 630 milhões), de 14/03/2003 até a presente data, foram pagos apenas R$ 32 milhões (5,08%), distribuídos pelas diversas fontes de recursos, segundo ordem cronológica pré-estabelecida, atingindo poucas Empresas de Consultoria, e assim mesmo em valores pouco significativos. Resta ainda o considerável saldo a pagar de R$ 598 milhões.

Em 28/03/2003, matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, deu ciência do resultado da reunião entre o Ministro dos Transportes Anderson Adauto e as Empresas ligadas à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – FIEMG, na qual foi pré-acordado o pagamento de pelo menos 50% (cinqüenta por cento) dos "Restos a Pagar" do ano de 2002, no montante de R$ 325 milhões, que a Pasta de Transportes tem com as Empresas de todo País. O Ministro ficou na ocasião de levar a conta para apreciação imediata do Ministro da Fazenda e também apresentá-la ao Presidente da República, em reunião na ocasião, já programada.

Tal solução se implementada de imediato, já possibilitaria um tempo de sobrevivência para as Empresas, desde que abrangesse 50% do crédito de cada uma delas.

Face à situação crítica ora exposta, as Empresas de Consultoria, muitas em situação de insolvência, pedem ao Governo justiça e cumprimento de suas obrigações contratuais permitindo urgente recebimento de seus créditos junto ao DNIT , o que irá permitir a continuidade de suas atividades de engenharia, notadamente no Setor Rodoviário, de fundamental importância para o desenvolvimento do País.

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