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Uma
estratégia de País
Mauro Viegas Filho*
Vice-Presidente da ABCE
Introdução:
A engenharia brasileira teve um desenvolvimento espetacular na década
de 70, chegando a ser reconhecida internacionalmente por sua inovação
e competência.
Naquela época, as empresas de engenharia consultiva viveram um período
áureo, atuando tanto no Brasil como no exterior no desenvolvimento de
projetos multidisciplinares.
O segmento chegou a empregar mais de 50.000 pessoas de nível superior
trabalhando em tempo integral, inovando e desenvolvendo tecnologias e projetos
de alto padrão com grande competência.
Lamentavelmente isso hoje é somente uma historia que temos para contar.
Decorridas cerca de três décadas, o que vemos atualmente é
uma atividade sobrevive heroicamente, sujeita as intempéries do mercado
e atacada por pacotes fechados no exterior.
Sua atuação não é valorizada ou mesmo entendida
pelas autoridades e a mídia em geral, que corriqueiramente confunde empresas
de consultoria de engenharia com empreiteiras.
A que atribuir essa situação?
A partir dos difíceis anos 80, talvez pela falta de visão de
nossos dirigentes, a atividade chegou a ser considerada supérflua, obrigando
empresas organizadas a desmobilizar a grande parte de seus quadros de profissionais,
altamente qualificados, com mestrados e PHd em diversas disciplinas.
A falta de um visão estratégica para o setor reduziu seu espaço
no mercado. A consultoria de
engenharia brasileira deixou de ser uma referência internacional para
servir hoje em dia apenas como um instrumento de apoio aos grandes projetos,
não mais como o agente indutor de tecnologia de ponta para o país.
O que fazer para mudar esse quadro e fazer com que a Engenharia Consultiva
volte a promover o desenvolvimento tecnológico do país?
A ação imediata é a definição de uma estratégia
nacional de valorização e fortalecimento da Engenharia Consultiva,
na qual o BNDES tem papel fundamental.
Estratégia 1 - O BNDES como agente indutor e fomentador de investimentos
em infra-estrutura.
Ações:
- Criar no BNDES um programa permanente de contratação
de estudos de viabilidade técnico-econômico, projeto conceitual
e modelagem, visando a criação de um banco de projetos disponíveis
para investidores privados, mediante concessões e /ou parcerias público
privadas.
- A contratação dos estudos é feita com recursos do próprio
banco, por meio de carteira especifica, para projetos pré selecionados
por critérios definidos pelo Governo Federal, através dos PPAs.
Os estudos são colocados em licitações de concessões
ou de futuros PPPs.
- Os custos dos estudos são ressarcidos pelos futuros investidores,
quando da implementação do investimento.
- Esses estudos poderão ser elaborados tanto para projetos de responsabilidade
do governo federal quanto de governos estaduais ou municipais, através
de convênios.
- O BNDES já participou de alguns estudos dessa natureza, como por
exemplo na linha 3 do Metrô do Rio.
- Além de valorizar e fortalecer a Engenharia Consultiva, essa política
com certeza dará grande impulso e confiabilidade aos investimentos
privados em infra-estrutura, tanto pela política de disponibilizar
estudos de viabilidade, quanto pela credibilidade que a chancela do BNDES
dará aos pretendentes investidores.
Estratégia 2 - Utilização da Engenharia Consultiva
na Supervisão da execução dos empreendimentos financiados
pelo BNDES
Ações:
- Como forma de garantir a boa performance técnica dos empreendimentos
financiados pelo BNDES, exigir através de cláusula contratual
que os tomadores destes financiamentos, a partir de determinado porte, contratem
empresas de engenharia consultiva cadastradas no banco de dados FINEP / ABCE
e aprovadas pelo Banco.
- Trata-se de um procedimento padrão de bancos de fomentos como o JBIC
(Japão) Banco Mundial, BID, FONPLATA , CAF entre outros e já
é utilizado pelo BNDES em alguns contratos.
- Nos contratos de financiamentos de empréstimos para empreendimentos
no exterior esse procedimento deve ser padrão, independente do porte.
Estratégia 3 - Criação de Fundo Financeiro para
Contratação de Consultoria em projetos no exterior. (FFCC).
Ações:
- Essa política visa ampliar a agenda de exportação de
bens e serviços e constitui uma prática consagrada por todos
os países desenvolvidos que apóiam a exportação
com fornecimento de estudos e projetos, dentre os quais destacam-se: Estados
Unidos, Alemanha, Canadá, Espanha e Japão, França e Inglaterra.
- Trata-se de importante instrumento de alavancagem de exportação.
Ao especificar bens de capital e demais itens de exportação
produzidos no Brasil, estaremos assegurando a competitividade dos fornecedores
brasileiros na implantação do empreendimento.
- Esse fundo também é rotativo. A cada empreendimento com financiamento
concedido, o valor do estudo é ressarcido pelo executor do contrato.
- Recursos Necessários: US$ 10 milhões
- Os principais mercados para o Brasil com a criação desse fundo
são América Latina e África.
- Esse fundo poderá dispor de recursos para prospecção
e participação de empresas Brasileiras de Projetos em feiras
e rodadas de negócios no Exterior.
Estratégia 4 - Linha de Crédito Específica para
financiamento de Contratos de Engenharia.
Ações:
- Criação de linha de crédito para contratos de serviços
de engenharia que garanta a sustentabilidade das empresas em contratos de
porte. Rápida e sem burocracia, lastreada em seguro garantia e não
em bens, uma vez que as empresas desse setor não são intensivas
de capital.
- Esse tipo de empréstimo já é praticado pelo BNDES para
financiamento de contratos de fabricação de equipamentos para
a indústria de Petróleo e Gás dentro das premissas do
Prominp, que apóia a mesma sistemática para contratos de serviços
de engenharia.
- Esse tipo de empréstimo, pelo prazo do contrato, significa um grande
passo para a saúde financeira das empresas, que poderão dispor
de fluxo de caixa compatível com as suas carteiras de projetos.
*Exposição do autor no Seminário
"Engenharia & Desenvovimento", promovido pelo BNDES em 21/10/04,
sendo co-promotores ABCE, ABEMI, CLUBE DE ENGENHARIA, SINAENCO.
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