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Propostas para a organização e
definição
de uma política de exportação de
serviços
A
exportação de serviços de consultoria de engenharia*
Angelo
Vian
Presidente
da Diretoria Nacional da ABCE
1.Consultoria de Engenharia: um setor
estratégico
Junto com as
Universidades e Centros de Pesquisa, as Consultoras formam o tripé que
sustenta e desenvolve o patrimônio tecnológico da nação. Empregam dezenas
de milhares de profissionais de nível superior e técnicos de nível médio,
atuando no Brasil e no exterior.
As empresas
Consultoras são ou deveriam ser formadoras de profissionais especializados
após sua formação acadêmica, por estágios e participação em equipes
técnicas mais experientes.
A não dependência
tecnológica absoluta de uma nação supõe uma Consultoria de Engenharia
nacional fortalecida e prestigiada por governos e iniciativa privada do
país,sobretudo na área de
empreendimentos de infra-estrutura tão vital para cada nação.
Por outro lado a
Consultoria de Engenharia brasileira atuando no exterior é ponta-de-lança
para a exportação de bens produzidos no país e de outros serviços
prestados por empresas brasileiras, por ser aquela que em seus projetos
define os processos construtivos e especifica equipamentos e produtos que
o Brasil tem capacidade de fornecer.
Um projeto de
engenharia, precedido de estudos de viabilidade técnica, financeira e
ambiental, representa um percentual de 3-4% do valor dos investimentos que
se farão com base nas soluções técnicas, especificações e processos
construtivos ou industriais nele definidos. Resulta então gerador de
exportação de bens e outros serviços de engenharia, construções e
montagens 25-30 vezes superiores ao seu custo.
2. Condições básicas para a exportação
de serviços de Consultoria de Engenharia.
2.1. Domínio, pela
empresa consultora, de tecnologias avançadas e sempre atualizadas, somente
possível para empresas solidamente estruturadas no país. Em outras
palavras as empresas devem ter acumulado experiências em trabalhos de
maior porte e complexidade no país, para serem candidatas a ter sucesso em
serviços até de menor porte no exterior.
Na exportação de
serviços, um insucesso prejudica todo o trabalho de conquista do mercado,
comprometendo a credibilidade tecnológica do país inteiro no setor
envolvido. Como sempre, em qualquer circunstância, fora de casa, falhar é fatal
!
2.2. Capacidade de
oferecer preços competitivos, em nível internacional, e em competição com
as mais avançadas, tecnologicamente preparadas e comercialmente agressivas
nações do mundo. O preço de um serviço de engenharia consultiva é
constituído basicamente dos honorários pagos aos profissionais aos quais
se adicionam os encargos sociais e tributários e o overhead da empresa,
incluídas aí as despesas comerciais suportadas para prospectar serviços
no exterior.
Hoje a atividade de
engenharia consultiva de Empresas Brasileiras no país e no exterior
resulta prejudicada pela elevada carga tributária, devido à complexa e
onerosa legislação trabalhista e previdenciária a que está sujeita a
empresa brasileira, e pela carência de instrumentos de apoio à penetração
comercial nos paises de interesse.
Uma significativa
redução de carga tributaria para serviços no exterior torna-se
imprescindível para assegurar a competitividade da engenharia consultiva
brasileira. Justifica-se tratamento diferenciado para este setor
estratégico, se for de fato reconhecido o seu papel alavancador de
exportações brasileiras de maior porte, como antes
mencionado.
Por outro lado uma
estrutura de apoio institucional, financeiro e logístico na prospecção de
serviços de consultoria de engenharia no exterior deve ser pensada e
disponibilizada às empresas interessadas, pelo menos naqueles paises para
os quais se considere conveniente concentrar o esforço exportador.
2.3. Para uma
promoção eficaz, será necessário despertar o interesse de países
importadores por estudos e projetos oferecidos por empresas brasileiras
reconhecidamente capacitadas tecnicamente, através de setores de promoção
comercial das representações diplomáticas, que confirmem igualmente o
interesse brasileiro em intensificar as relações comerciais e políticas
com o país importador, associado à possibilidade de financiamento por
agência financeira estatal à exportação de bens e serviços de fornecedores
brasileiros, mecanismo a ser incluído nos estudos de viabilidade técnica e
econômica realizados pela empresa consultora.
Atualmente, a
exportação de engenharia acontece por mérito das próprias empresas
consultoras, apoiadas ou associadas a empresas construtoras de porte
elevado e experiência de trabalhos no exterior. Em alguns casos, a atuação
da empresa de consultoria fora das nossas fronteiras resulta de sua
especialização em determinado nicho tecnológico, no qual é reconhecida sua
indiscutível expertise.
3. Mecanismo para a utilização da
Consultoria como alavanca de exportações
brasileiras.
É oportuna e impõe-se
a criação de linha de financiamento específica para estudos de viabilidade
e projetos básicos às empresas de consultoria de engenharia, com potencial
de alavancagem de exportações brasileiras de bens e outros serviços.
Propõe-se que uma agência financeira do governo (BNDES, BB ou outra)
constitua fundo financeiro para contratação de consultoria (FFCC) para
alavancar exportações de bens de capital e construção, induzidas pela
oferta, ao país importador, de estudos de engenharia consultiva,
selecionados por critérios claramente definidos.
Trata-se, como antes
mencionado, de utilizar a engenharia consultiva brasileira
como ponta-de-lança para a exportação de bens e outros serviços, especialmente
bens de capital e construção, por fornecedores brasileiros. Empresas
brasileiras seriam contratadas para desenvolver estudos de
pré-investimento, estudos de viabilidade técnica e econômica e projetos
básicos de engenharia para a implantação de empreendimentos industriais,
de infra-estrutura e outros, a serem oferecidos, sem custos, a países para
os quais exista interesse do Brasil em exportar bens e serviços
oferecidos por empresas brasileiras.
As Consultoras
especificam, em estudos e projetos oferecidos a países pré-selecionados,
bens de capital, máquinas, equipamentos, materiais de construção, sistemas
construtivos e demais itens de exportação produzidos no Brasil, envolvendo
tecnologias utilizadas pela indústria e empresas de construção do país, de
modo a assegurar a competitividade dos fornecedores brasileiros na
implantação futura do empreendimento.
Assim os países
industrializados têm efetuado exportações significativas de bens de
capital e serviços de construção, alcançando grandes benefícios para seu
parque industrial, utilizando como alavancagem a realização de
estudos por suas empresas de consultoria de engenharia.
Nos Estados Unidos, a
TDA (“U.S. Trade and Development Agency”) dedica-se principalmente à
realização de estudos de viabilidade, de maneira a ampliar o acesso de
países estrangeiros à tecnologia das empresas norte-americanas, e assim
incentivar a participação de bens e serviços norte-americanos em
empreendimentos que envolvem engenharia e construção.
Os países
industrializados mantêm organismos financiadores e promotores de
exportações, que utilizam essencialmente a mesma estratégia, mas com
volumes de investimento (e retorno) substanciais. Dentre eles salientam-se
os seguintes:Na Alemanha, a GTZ
(“Deutsch Geselschaft Fur Technische
Zusammenarbeit”);No Canadá, a CIDA
(“Canadian International Development Agency”);Na Espanha, o
programa fev (“Fondo de Estudios de Viabilidad”);>No Japão, a JICA
(“Japanese International Cooperation Agency”).
Nesse sentido, vale a
pena repetir que é imprescindível que seja criado também no Brasil um
fundo com recursos suficientes para promover a elaboração e oferta de
estudos e projetos de arquitetura e engenharia consultiva a governos e
investidores públicos e privados estrangeiros, estudos esses capazes de
viabilizar a implantação de empreendimentos no exterior, que demandem
serviços de construção e bens oferecidos por empresas
brasileiras.
4. A Consultoria de Engenharia na
prospecção de oportunidades de exportação.
Empresas de
Consultoria de Engenharia deveriam ser mobilizadas
pelo governo na prospecção de oportunidades de exportação para países com os quais haja
interesse geopolítico e econômico de ampliar relações comerciais que
incluam a participação brasileira na construção ou expansão da
infra-estrutura local. Não apenas por missões pontuais descontínuas, mas
por uma presença que se enraíza no país para uma atividade
contínua.
Trata-se de criar
laços permanentes de cooperação entre o Brasil e os países escolhidos,
envolvendo programas de transferência de tecnologia, favorecendo alianças
duradouras entre empresas brasileiras e locais, contribuindo para a
integração de programas de desenvolvimento C&T, construindo relações
de confiança que tornem cada vez mais aceita e desejada a presença de
organizações brasileiras atuando no país.
No caso da América do
Sul, acresce a motivação da integração física das infra-estruturas dos
países da região, nos quais já são significativas a presença de empresas
brasileiras de consultoria de engenharia e construção, e as relações
comerciais com exportação de bens de capital, máquinas e equipamentos
utilizados nos empreendimentos integradores, destacadamente aqueles
incluídos no IIRSA – Integração das Infra-estruturas Regionais da América
do Sul).
O Fundo Financeiro
exposto anteriormente poderia custear essa prospecção, com o mesmo
objetivo de identificar oportunidades no mercado local, estabelecer
contatos comerciais e canais de cooperação, apresentar a capacidade
brasileira de apoiar a concretização de empreendimentos de infra-estrutura
previstos nos planos de desenvolvimento do país, com vistas a alavancar
exportação de bens produzidos no Brasil e de serviços de empresas
brasileiras, inclusive informando condições de acesso às linhas de
financiamento disponíveis em agências financeiras brasileiras
(BNDES, BB/PROEX).
Os resultados das
prospecções nos países definidos segundo os interesses nacionais, seriam
elementos de especial importância na elaboração de políticas de exportação
voltadas para empreendimentos de infra-estrutura (bens de capital,
máquinas e equipamentos, serviços de construção e montagens
industriais, etc.).
*Exposição da ABCE
no 26º ENAEX - Encontro Nacional de
Comércio Exterior, promovido
pela AEB.
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